Perfeitamente Verde
Uma das primeiras lições que aprendemos quando começamos a cozinhar é que devemos experimentar tudo o que preparamos e, por causa disso, acabamos descobrindo sabores desconhecidos que nos trazem boas (e algumas vezes más) surpresas. Um exemplo é o ingrediente verde, que sempre foi interpretado como algo que ainda não está pronto para o consumo mas que muitas vezes tem um sabor mais adequado à sua preparação do que um ingrediente maduro.
Tudo é uma questão de não criar expectativas. Se ao olhar um morango você espera um fruto vermelho e docinho, sim, você vai ter que esperar que ele amadureça. O que você não sabe é que um morango pode ser crispy, ácido, verdinho e igualmente gostoso. É o que o chef René Redzepi chama de “perfectly unripped” (perfeitamente verde).
Para causar um bom impacto no público e, de quebra, evitar o desperdício, restaurantes começaram a pensar em soluções criativas para o uso dos ingredientes que não chegavam tão bonitos (ou verdes) à cozinha. A verdade é que na cozinha do futuro a sustentabilidade estará em primeiro lugar, não por conceito mas por necessidade. Como temos que lidar com as mudanças de estações e com a variação de frutas e verduras maduras durante todo o ano, precisamos aprender a gostar das diferentes fases de maturação daquilo que a natureza nos oferece.
É preciso dar valor à natureza, entendendo sua pluralidade e, ao mesmo tempo, buscando conhecer a singularidade de seus indivíduos. Cada fruta, verdura, folha e legume amadurece no seu próprio tempo, tem sabor e aparência específicos e deve ser respeitado. É essa uma das ideologias do Soul Kitchen de que mais nos orgulhamos: a valorização dos ingredientes. Aqui, não queremos o gosto do desmatamento na nossa comida nem sabores químicos ou artificiais, queremos o que há de mais fresco, seja perfeitamente maduro ou mesmo perfeitamente verde.













1. Chef’s Table
2. Cooked
3. Steak Revolution
4. City of Gold
5. Ingredients
6. For Grace
7. The Mind of a Chef 


